sexta-feira, 10 de setembro de 2010

É a saudade, que invade machucando aqui no fundo do meu peito. ♫♫

Há 05 anos em minha vida uma ausência se revela cotidianamente, uma ausência física que me põe de fronte com um sentimento incompreensível, a saudade.


Sempre fui apegada a meu avô "Zé Caboclo", recordo com amor o tempo em que sentava em seu colo e ficava brincando com seus dedos... dedos engelhados pelo tempo, pelo trabalho... eu achava o máximo competir com meus primos o colo de "voinho". Às vezes quando ele saia para tomar sua cervejinha lá na esquina de "Seu Gabriel" nós íamos seguindo-o e ele fingia que não nos via para que a gente pudesse ter o prazer de "flagra-lo" bebendo e em troca do nosso silêncio ganhávamos um monte de bombom. Minhas idas pra Nova Floresta tinham gosto de chocolate de laranja.
Acredito que sua infância também tem um gosto especial.

Aquele chocolate de laranja que ainda hoje encontro para saboreá-lo tem gosto de infância, tem gosto de alegria, de brincadeiras, de vida. Mas um dia essa vida se afastou e de maneira inexplicável àquele que me comprava as balas se foi. Pra onde? Não sei...


Não acredito que ele esteja naquele cemitério de Nova Floresta. não.. não... Ele não podia terminar daquela forma. A melhor pessoa do mundo era ele... Um anjo... Um Santo...
Anjos e Santos estão no céu, então ele deve estar lá. Mas também ele pode ser aquela estrela que toda noite brilha de maneira especial pra mim.

Eu pouco vou ao cemitério quando estou em Nova Floresta, mas não é porque tenha esquecido dele... de jeito nenhum! É porque eu nunca aceitarei a idéia de que a sua memória seja aquela foto naquela pedra fria.

Viajar pra Nova Floresta não tem a mesma alegria e o mesmo prazer... Ele não fica mais no portão "pastorando" o ônibus quando eu vou chegar ou quando eu vou sair... Eu não sinto mais o perfume que ele tinha... Eu não sento mais em seu colo pra fingir que estava dirigindo o fusquinha, quando ele comandava a direção... Ele não chega mais do sítio, vindo de bicicleta e abençoa todo mundo que está à mesa...


Outra semana, eu estava com tanta saudade que meu coração apertava, daí liguei o DVD das Bodas de Ouro dele e de vovó, só pra poder ouvir sua voz na confirmação do matrimônio, só pra poder ver seu rosto de novo e seu sorriso lindo.

Por coincidência no sábado em uma palestra uma mulher colocou a música: "Meu querido, meu velho, meu amigo." Aquilo cortou meu coração e o esmagou de maneira tal que fiquei descontrolada... Entrei em estado emocional igual o do dia que o perdi =/

Tudo isso porque essa música hoje pra mim é a materialização de meu avô... Foi com essa música que dávamos seu último adeus... Que caminhávamos pela cidade carregando em um caixão aquele que foi a maior representação do amor na nossa vida... Foi com essa música que todas as pessoas da cidade esqueciam tudo e se juntavam para acompanhar o corpo daquele exemplo... Foi com essa música que meu avô espalhou pela ultima vez na cidade seu perfume.


Acho que mesmo com tudo isso, ainda não descobri nada sobre a saudade... Eu sei que a sinto, mas não sei explicá-la. Talvez a saudade seja extensão da presença de vovô na minha vida... Talvez a saudade seja a recordação...


A única coisa que sei é que saudade dói... Saudade machuca...
Mas o que é mais bonito é que eu sei que saudade é a certeza que tudo valeu a pena, que tudo foi perfeito e que a presença dele na minha vida é inesquecível!

Um comentário:

=D disse...

"Saudade é uma forma de termos perto aquilo que não temos mais", é a prova de que tudo valeu a pena e a mais bela homenagem que ainda podemos prestar...